segunda-feira, 21 de junho de 2010
é morena, ta tudo bem...
XXVII.
o caminho pode ser a tranquilidade...
"Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando."
Pablo Neruda
É enorme a facilidade em ter motivos para chorar, mesmo que dor não se sinta, tão fácil que as vezes fica chato, em vez de procurar os cantos dos sorrisos lamenta as oportunidades que passam, seja sincero, perder o tempo procurando algo que talvez não existe é o inferno enquanto se há tempo em viver concreto em alguém, ser alma dentro do corpo quando se esta apaixonado. Fui homem antes de sentir amor, sou paz quando percebi que além de mim existe alguém que me ame com vã intensidade, com luz, simples, com cor.
Em um tom sereníssimo de calcanhar calculado e o medo de pisar em chão desconhecido eu tentei ser invisível, pelas vielas onde nunca se espera sequer um suspiro de boa vontade, esse imenso todo me fez pensar em admitir a solidão e a escusa sentinela de ser só por sentir-se melhor, forte, quem sabe viril, me dei conta que todos eram completos porque tinham um bom domingo, enquanto eu via os sábados e acordava nas segundas, com cara de ontem, com cara de farsa.
Ninguém é e pode ser esteriótipo de um coletivo, não existe um modelo, existem sim as faltas de sono, as saudades intermináveis e as sensações de proteção, um casaco que te acolha no frio, mãos que não deixem a sua fugir, abraços e detalhes que te ocupam espaço, que façam sua renascença, um pouco de sutileza e um pouco de atrevimento, o quanto é misterioso os sonhos e o interessante pelo fato de ser maravilhoso e não necessitar o mínimo de explicação, hoje, sorrio maior que minha boca, para que de longe você saiba que eu estou indo na sua direção.
Com um raio de lembrança me vi na noite que acabou rápido demais, olhava para a sua sombra com a vasta esperança de que ao menos ela ficasse comigo e me contasse uma prosa para dormir mais calmo, menos solitário, eu quis tudo e senti tudo, perfeição não precisa de manual ou alguma instrução do tipo "como usar" quando a maneira mais simples é fechar os olhos, ainda que suas mãos atravessassem meu infinito, minhas formas, preferi não ver, para que minha saudade não seja finita à sua imagem, mas, que até no fim do mundo e sem coisas tangíveis eu possa te lembrar, com a mais irritante escuridão viver sua voz em cada idéia de minha existência.
Falo sobre as coisas do cotidiano e esbarro na insuficiência de falar sobre o que sinto, um sinal claro de que o dicionário não basta e tudo que estudei sobre você não tem embasamento emocional, não tem língua, afônico, em tempos eu não esperei algo tão "dantesco", algo tão inexplicável, a ponto de não saber o que faço primeiro, se te encaixo no meu peito ate você dormir ou se fico te olhando até que um dia a vida te tire de mim.
Sei que por escolha cuida de vidas e engana a morte, sei também que tem ouvidos de fadas para músicas no mínimo desconfiáveis, sabe como ninguém mostrar a prata da fala e o esculpido das jardas que desenham seu corpo, uma seneuma vibrante e um apito berrante, coisas que encaram com aventura, uma brava amazona, dona de um sorriso singular e um carinho infindável, justa como um fim de tarde, vida e laço, um presente percebido em fios de cetim e uma pequena escrita em frente e verso, poesia e catástrofe, o tudo e o nada, meu início, meu meio e meu sim.
"Estava satisfeita em te ter como amigo
Mas o que será que aconteceu comigo?
Aonde foi que eu errei?
Ás vezes me pergunto se eu nao entendi errado
Grande amizade com estar apaixonado
Se for só isso logo vai passar
Mas quando toca o telefone será você
O que estiver fazendo eu paro de fazer
Se fica muito tempo sem me ligar
Arranjo uma desculpa pra te procurar
Que tola, mas eu nao consigo evitar
Por que eu só vivo pensando em você
E é sem querer
Voce nao sai da minha cabeça mais
Por que eu só vivo acordada a sonhar
imaginar, nós dois
Ás vezes penso ser um sonho impossível, uma ilusão terrível
Será?
Hoje eu pedi tanto em oração
Que as portas do seu coração
Se abrissem pra eu te conquistar
Mas que seja feita a vontade de Deus
E se ele quiser, então nao importa como, onde, quando eu vou ter seu coração
Eu faço tudo pra chamar sua atenção
De vez enquando eu meto os pés pelas mãos
Engulo a seco o ciúme
Quando outra apaixonada quer tirar de mim sua atençao
Coraçao apaixonado é bobo
Sorriso seu ele derrete todo
O teu charme, teu olhar, tua fala mansa me faz delirar
Mas quanta coisa aconteceu e foi dita
Qualquer mínimo detalhe era pista
Coisas que ficaram para trás
Coisas que você nem lembra mais
Mas eu guardo tudo aqui no meu peito
Tanto tempo estudando teu jeito
Tanto tempo esperando uma chance
Sonho tanto com esse romance
Que tola, mas eu nao consigo evitar
Por que eu só vivo pensando em você
E é sem querer
Voce nao sai da minha cabeça mais
Por que eu só vivo acordada a sonhar
imaginar, nós dois
Ás vezes penso ser um sonho impossível, uma ilusão terrível
Será?
Hoje eu pedi tanto em oração
Que as portas do seu coração
Se abrissem pra eu te conquistar
Mas que seja feita a vontade de Deus
E se ele quiser, então nao importa como, onde, quando eu vou ter seu coração."
(por Henrique Cerqueira)
Por fim e não mais que ligeiro me despeço para o intervalo merecido, eu preciso descansar e acordar disposto, não tenho o sacrifício do esquecimento, ainda quero pela acordar pela manhã e poder dizer, até que enfim eu te vejo, até que enfim será para todo o inesquecível.
No mais é isso.
terça-feira, 1 de junho de 2010
contra o tempo.
XXVI
"A única coisa de que me arrependo nessa vida é de não ser outra pessoa." (Woody Allen)
desde criança...
Fui realmente interessante quando tinha meus meses de nascença, revirava os olhos em graus intermitentes procurando algo novo, algo que não se via de dentro da placenta, algo que não se via do meu lar. Depois de anos em observação, ainda com o circular das orbitas e o ensejo enlouquecido de antigamente, cheguei a conclusão de que por mais que se veja tudo nada se entende até que se envolva, em outra vertente, nada é igual para todos e nem sempre o verde meu é o verde teu, a ponto de feliz ser o céu, o mundo revolta e ainda ilumina seja quem for.
Juntei as palmas e clamei ao Pai para que nunca saisse da terra e vi as pessoas matando umas as outras e aos oito ou nove anos, não me recordo ao certo, me perguntei se os que se vão não sabiam rezar e pedir o mesmo que eu pedi, ou Deus elegeu alguns homens e deu aos mesmos o poder de finalizar sonhos e vontades, de viver interropendo a evolução dos menos valentes e dos que dão mais valor a vida sem riscos desnecessários, eu chorei aos que se foram e me preparo se o acaso levar alguém pelo qual tenho infindo apreço.
Jurei no final de meu primeiro encontro que jamais morreria de amor, que eu acordaria todo dia santo gostando ainda mais de mim do que o próximo seja ele quem for, seja qual for o último beijo, seja quem for a última a tocar suas mãos na minha, jurei antes de tentar entender, antes de perceber que a morte não se define no término de um corpo e sim, que existem inúmeros finados e desde aquele dia eu não parei mais de sofrer ante as desiluções e aventuras terminativas dos relacionamentos, invenção mal feita àqueles que desembocam no desapego sua melhor característica.
Como as plantas e guiando a fotossíntese como se fosse cada passo dado envolto de um desenvolvimento contínuo, vi o tempo passar, vi os amigos sorrindo e caindo, os ombros partidos e calejados dos choros que criei, vi os cabelos sumindo as sinais de idade surgindo e algumas pessoas abrindo e fechando Templos e Igrejas, acreditando em seus Salvadores e abdicando um passado infortúnio com a promessa de um futuro deslumbrante, vi o trabalho cansativo das cegonhas, da última e da sétima missa de adeus e continuo acreditando que a fé assusta as impossibilidades e que as pessoas precisarão aprender a orar o mais rápido possível, não pelo fim, mas pelo menos chegar ao meio do caminho.
Sim, eu teho alguns cabelos brancos e não sei ainda porque cresceram tão rápido e desordenadamente, conheço o provérbio chinês sobre a árvore, os filhos e o livro e não vejo dificuldade em nenhum dos três, árvores eu planto, filhos ainda vou tê-los e livros são escritos e não objetos de milagres, com um papel e um lápis desenho oportunidades e há quem diga ter desprazeres na vida, convenhamos, somos o que não imaginamos e podemos tudo aquilo que nos parece dificil, quem não acredita no impossível jamais será digno de viver na eternidade, não use o espelho para se notar, ele só te mostra o que o corpo tem de melhorar, quando o mais incrível está onde não podemos ver.
E quando eu tiver ainda mais grisalhos na cuca, com uma floresta, alguns herdeiros e "best-sellers" publicados vou poder olhar para trás e dizer que tudo valeu a pena, não só da boca pra fora, que rezei pelas vidas das pessoas que eu nem conheço e isso me fez maior, que sofri por cada perda amorosa e que foi necessário, que precisamor passar pela falta de carinho, sempre daremos valor ao que nos é retirado e com isso juntaremos esforços para que ao próximo anjo que nos for oferecido seja dado o nosso máximo, o nosso melhor.
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Oh where, oh where, can my baby be?
The Lord took her away from me.
She's gone to heaven so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world.
We were out on a date in my daddy's car,
We hadn't driven very far.
There in the road straight ahead,
A car was stalled, the engine was dead.
I couldn't stop, so I swerved to the right,
I'll never forget the sound that night.
The screaming tires, the busting glass,
The painful scream that I heard last.
Oh where, oh where, can my baby be?
The Lord took her away from me.
She's gone to heaven so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world.
When I woke up, the rain was pouring down,
There were people standing all around.
Something warm flowing through my eyes,
But somehow I found my baby that night.
I lifted her head, she looked at me and said;
"Hold me darling just a little while."
I held her close I kissed her - our last kiss,
I found the love that I knew I had missed.
Well now she's gone even though I hold her tight,
I lost my love, my life that night.
Oh where, oh where, can my baby be?
The Lord took her away from me.
She's gone to heaven so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world.
(Last Kiss por Wayne Cochran)
(tradução em http://letras.terra.com.br/pearl-jam/30320/ )
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O incrível de todo o ser humano é que ele se torna sábio quando a morte se aproxima, que a idade é a solução para os problemas e que suas facetas são calculadas e obrigatoriamente toleradas e seguidas e é neste bom e simpático velhinho que pretendo me tornar, depois de trilhar o caminho que nos foi dado, a vida não é um ciclo propriamente dito, na terra vivemos em linha reta, por fases e por destinos e espero que a partir de hoje o respeito seja maior que o desfrute, que se viva mais e se morra menos, em todos os sentidos.
No mais, e sempre desse jeito, um tanto de paz para quem precisa, e o meu sincero agradecimento para quem acredita em mim.
domingo, 23 de maio de 2010
para quem me entende...

"Os homens que procuram a felicidade são como os embriagados que não conseguem encontrar a própria casa, apesar de saberem que a têm." ( Voltaire )
XXV.
vinte e cinco vezes eu mesmo.
Depois das nuvens e dos dias claros, escritas tortas, noites com cabeça vazia e sem idéia ao que me reportar decidi, que de uma vez por todas serei o espelho e a espada que conservo sem caça de assuntos e cruzes sem nexo ortográfico, bocejo enfim o lustre que me consome e a energia que me faz ser diferente das pessoas, não ser o melhor, ser só o infinito e isso já me basta, por enquanto.
São mínimos os regentes que vislumbram no caminho pontos cardeais, cada um responsável pela mudança completa do nosso humor e do nosso enjoar, podemos chamar o cinza de púmblio, as nuvens de algodão, praças de encontros e figas de boa sorte, nada valerá a pena se a pressa é plena, uma paródia mal grata de alguém já contido na missão "estar pronto", não precisa entender o que eu digo, se teu tempo é horizontal ao meu pode ter certeza que já decifra-me.
Hoje eu tenho minha fala e minhas letras, como Fernando Pessoa, a língua é minha pátria, sem medo das fobias e das manias tão singulares a outros bonecos que se movem, tenho sentido e sinto mais que o mundo que me destrói, não aprendi as lições banais de um simples amor pintado com lápis vermelho, prefiro sentí-lo, abrir minha palma, segurar com alento e guardar pra mim tudo o que há de bom em você. Guardada as proporções do clichê, mas amar é tão bom quanto viver, afinal, só para isso existimos.
Sempre me inspirei nas coisas fungíveis ou não que me deixam sem resposta e por mais incrível que pareça procurei as soluções nas músicas que escuto, na verdade eu não consigo entender, compreendo o peculiar e sombrio do meu, no mínimo, duvidoso gostar musical, porém não são as falas propriamente ditas que me guiam, mas o cifrar do toque, nada como três minutos de música calada e tocada, me desculpem os críticos modernos amantes desgovernados de saculejo em níveis assustadores, música não se escuta ou se entende, simplesmente se vivencia.
Afim de entender o que pronuncio nesse instante eu esclareço, falo das coisas que amo e que detesto quando não estão ao meu alcance ou que escorregam por entre meus dedos quando meu pulmão mais precisa, respiro minhas vontades e na maioria das vezes tento a posse delas em atos afoitos e não planejados, e daí ? não vim para organizar projetos de sentimentos ou calcular cada passo que dou , sempre existirão pedrinhas ou minúsculos gravetos, se um dia existiu um obstáculo de verdade, me desculpe, nem percebi quando passei por cima.
Ainda tenho saúde e medo da morte, ainda gripo com o inverno ou torro com o verão, percebi que pouca coisa muda mas que o mínimo faz a enorme diferença, beijos, ventos, sempre uma nova oportunidade, ganhamos em charme com fios albinos no cabelo e rugas com a idadeque não freia nunca, quem se importa com isso ? desde pequeno fui avisado que no fim encontraremos com papai do céu e não me leve a mal, não quero perder essa oportunidade, mas não precisa ser agora, prometi para minha sombra, ainda vou lhe arrumar uma par, uma alguém bem bonito pois um dia você cansa de mim.
Adoro o complexo e a falta de tempo para responder uma pergunta complicada, acho que as vezes passo esse conteúdo fabulístico para minhas linhas aqui expostas, espero não levar esse intróito ao mal, quem conhece a mão de quem escreve decifra até antes que ponha o pingo no papel, afinal o que é claro demais esconde o segredo da procura e as melhores frutas estão sempre no topo das arvóres, um dia escutei esse ditado, para mim perfeito de tão insuportável, nunca fui de escalar nada, nem mesmo meus próprios anseios.
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Lareira pra acender,
Um céu pra se olhar
E tudo está tranquilo por aqui
Você vai me vencer,
Eu vou me apaixonar.
Não há mais o que decidir
Dos nossos lábios todas as palavras
Nada dizem
Aos nossos olhos tudo que já vimos
Foi vertigem
E é tudo tão real
Mas nada normal
( Victor e Leo - Nada Normal )
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Poderia deixar mensagens de amor platônico que fazem bem a alma de quem lê, enchem de esperanças os deprimidos por natureza e em potencial, mas entendo ser melhor abrir olhos, todas as pessoas, e digo isso por ser observador nos tempos vagos, possuem um alguém desafiador dentro de si, so precisam descobrí-lo aos poucos, Deus não fez o amor, a saudade ou até mesmo a poesia para enfeitar nossas estantes fictícias, é importante ser merecedor e atento, já que o mundo é tão pequeno afinal.
No mais, e sempre assim, FELICIDADE !!
segunda-feira, 17 de maio de 2010
meu infinito porta retrato...

XXIV.
Quando o atrativo passa a ser sentir.
"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche." (Martha Medeiros)
Há um tempo atrás refleti sobre a importância da menina linda dos tempos de quarta série e as lembranças dos cheiros e dos toques que já vivi, um grão mascado do passado que aluga um cubículo modesto do pensamento, mas sua falta causaria um transtorno imediato em suas virtudes e principais atitudes, uma poeira unida e responsável pelo deserto que as andanças nos tornam no que somos hoje.
Dos risos e das belezas fingimos bem ser apenas o presente, os riscos em sépia de um quadro traçado todo o tempo como quem com um picel na mão não encontra mais cores para borrar-se a não ser pelo espaço que ocupou desde que começou a amar e sentir prazer por estar ali, naquele momento que só foi visto pelo mesmo, sem testemunhas ou terceiros de ótima fé.
O ponteiro que só anda pra frente não dá meia volta para mostrar o que não foi saboreado, ele só responde pelo gosto que ficou e te acorda todo santo minuto em que lembra daquele manto branco vestido pela rainha que possuia o todo em ti, a copa da árvore navalhada pelas trêmulas mãos em busca da perfeição ao desenhar o músculo que bate dentro do peito, mas que nesse segundo era chamado pelo carinhoso nome de coração, reflexos do passado que fazem o nosso afazer mais dócil em batalhas trincadas no dia-a-dia.
Nomes, prenomes e alcunhas desfeitas, o choro pálido de quem já se foi e não sabemos para onde, a sorriso franco da vovó e a chegada de nossos pais depois de matar inúmeros leões para rechear nossas vontades em realidades, sei que a vida poderia ser menos dura em alguns instantes, outrossim é necessário acreditar que o livro já está escrito e que os personagens somente viram hérois depois de tropeços e massacres, e sabe quel é o melhor dessa fábula estranha ? Na última página estará escrito, "felizes para sempre", basta acreditar e levantar sempre que um sopro te derrubar.
Das lembranças e das saudades poderemos passar anos em gargalhadas e suspiros, com o fio da diferença, tudo que pisamos e plantamos são obrigatoriamente lembranças, o que nos fazem voar e os frutos mais suculentos são nossa saudade, em um estúpido e ignorante comparativo, lembranças são as coisas que vivemos, saudades são todo o resto que nos fizeram ter vontade de viver, sem o importar coloquial ou formal, mas a junção das duas nos remete a simplória e valiosa frase: "como era bom antigamente", dessa forma tiramos conclusões fáceis de ser decifradas, nossos ascendentes detêm lembranças e saudades enquanto nós, enfim, só daqui há algum tempo, ou quem sabe, só quando criarmos asas e vivermos no desconhecido.
Nesse instante me dei conta de que talvez nem eu lembre ou sinta saudades do que eu escrevo ou penso, as fases sempre mudam nossa maneira de desejar o tempo, porém uma coisa é bem certa, as tatuagens ficam para sempre e nesse diapasão que me responsabilizo, escrevo ou não minhas prosas no corpo ? ou talvez eu esteja certo em recusar-me nesse fantasioso feito, minha história e infinitamente maior que a minha matéria rabiscada, contuno o meu expor e deixo a dispor de minha mente, se for de bom alento para mim tenho certeza que a mesma se encarrega de demonstrar o sorriso carinhoso e a felicidade, mesmo momentanea, de cada um que lê em meus versos a solução, por menor que seja, de seus abismos pessoais.
"Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade
Eu quis te convencer, mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Caminho em frente pra sentir saudade
Paper clips and crayons in my bed
Everybody thinks that I'm sad
I'll take a ride in melodies and bees and birds
Will hear my words
Will be both us and you and them together
'Cause I can forget about myself
Trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
And please my day
I let you stay with me if you surrender"
(M. Camelo - Janta)
Assim seja feito, choraremos por nossas conquistas construídas pelo ardor de nossas dificuldades, daremos mais valor, por mais simples que pareça, aos beijos roubados e afagos na nuca quando mais precisamos, perceberemos que nem sempre o que é indigesto para alguns precisa ser para os outros como um trote sertaneijo com baladas melódicas e refrões quase sempre repetitivos, viveremos mais e nos preocuparemos menos, não se distrata o presente quando se sabe que o mesmo servirá de base para cada piscar de olhos que ousares realizar no futuro, mais vale um passado na mão do que um presente errante.
No mais, uma enorme paz aos que fazem dos meus dias um prazer indescritível e inenarrável.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
eu, tu, eles e elas...

XXIII.
"Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça..." (Mário Quintana)
se é que existe um recomeço.
Sem rodeios, prefiro assim, ser claro aos poucos e fundo no que precisso, chamar amores de eternos, chocolates de presentes e a vida do nome genitor de filhos, simples assim e tão complexo como a alma, intrépida farpa dos sonhos que sempre vivemos, veremos o que acontecerá até contarmos nossas auras barbas e nossa alcunha ser definida como completa.
Em uma reta etária do início ao óbito reger-se-ão inúmeros momentos de vazio, calos que colecionaremos em cartas escritas e não destinadas sem alvo e sem corrimão, contudo hei de preencher de promessas alucinadas reservando aos benditos anjos o encarregar de um novo encontro, que não seja estranho a ponto de confundir, porém com um ar escuro que nos faça sonhar com a possibilidade de um rumo melhor, a tão almejada solução para todos os problemas, sem saber que não importa o plural nesses momentos e sim o uno de ser forte com um punhado de sabedoria para colocar pedras em desafios.
Na verdade, não existe uma lista pré definida de feitos a serem realizados, condicionamos todos na passagem temporal, uma solidão é necessária o tanto quanto a companhia, firmar o só é fundamental, organizar nossa mente em detalhes antes nem percebidos e dar valor até ao muro branco que protege nosso lar, ainda que não seja dessa cor, mas não te faltaria coragem e audácia de reunir cada tijolo para proteger a sua prole ou que seja, sua família.
Outrora, é importante lembrar dos brilhos de estar apaixonado, o status das asas abertas não são páreos a felicidade de um dia frio e acobertado de aconchego e bel prazer coronário, ficar sem chão nos suspiros de uma saudade dão a sensação de nunca estar sozinho mesmo que naquele momento exista apenas você e a televisão, lembrar os cafunés de um domingo chuvoso faz valer cada segundo da vida em par. Há quem diga que ser solteiro é o melhor de todos os sentimentos, fatalmente os mesmos donos desta especulação, são os que se mordem em busca de um ombro fiel, olhos que fazem sermos brilhantes.
Vale dizer que o recomeço em alento é o emocional, se estamos preparados para grandes perdas e voltas esplendorosas, se o mundo que desenhamos são passíveis de esquecimentos e se erguiremos um lápis de cor quaisquer e contronaremos todo o desenho novamente. nunca estamos sozinhos por completo, nossas rodas são maiores que imaginamos, possuimos pessoas de bom grado que estão sempre a espera de um arranhão para curar nossas feridas, porém não controlamos nossa farta imaginação amorosa e apesar de todo o derretido alguém dentro da gente está sempre preparado para reviver e encontrar uma "costela" que nos aqueça, o mal é demorarmos para enxergar nosso avesso.
"Normal, estou vivendo simplesmente
Não vou ficar pensando
Se tivesse sido contrário
"Normal, estou vivendo simplesmente
Não vou ficar pensando
Se tivesse sido contrário
Estou feliz
Mesmo sozinho
Esse silêncio é paz
Nesse momento cai
Uma forte chuva
Quem vai ficar chorando?" (Nando Reis)
Por derradeiro, sofrer faz parte, sorrir muito também, adequar-se ao nosso quinhão infeliz é um destino do presente, não importa seu grau de desespero. Nesta guerra de interesses próprios nenhuma arma vai te ajudar a matar a sua escolha, seja enorme, é a única forma de dizer que és pra sempre !!
No mais paz, muita luta e um novo caminho, se é que existe.
Mesmo sozinho
Esse silêncio é paz
Nesse momento cai
Uma forte chuva
Quem vai ficar chorando?" (Nando Reis)
Por derradeiro, sofrer faz parte, sorrir muito também, adequar-se ao nosso quinhão infeliz é um destino do presente, não importa seu grau de desespero. Nesta guerra de interesses próprios nenhuma arma vai te ajudar a matar a sua escolha, seja enorme, é a única forma de dizer que és pra sempre !!
No mais paz, muita luta e um novo caminho, se é que existe.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Tristeza não tem fim...

Diante dos nossos olhos e dos nossos feitos...
Vi no Abril as águas do mês anterior como dizia o poeta, quase premonição, mas já estava escrito. Como não ficar feliz ao achar o chão mais perto de uma lixeira, ou achar em um rio lugar ideal para arremessar privadas ou garrafas terminativas de jantares saborosos ? Pois é, já estava escrito e ninguém leu, afinal sujar cidades é um dom e ter garis é o nosso direito portanto vamos distribuir empregos e tarefas numa anedota estúpida e sem graça alguma, tudo culpa do nosso povo festivo e adoradores de um bom futebol apesar de ficarmos muito ocupados em organizar partidas de futebol ao invés de deixar os combatentes ajudar aos que realmente precisam, duvida ainda de que tudo o que plantamos um dia vamos cultivar e provar mesmo que o sabor seja um pouco amargo ? Então, tragédia feita, estrago concluído, não jogaremos mais papéis de propagandas de lipoescultura no solo e pela janela de nossos carros ultramodernos e vamos fazer de nosso meio ambiente um lugar digno de se viver, sem geladeiras ou ventiladores boiando em nossos maravilhosos mares e riachos, certo ? Eu sei, tudo bem, a culpa é toda nossa, não vamos mais agir como porcos ou destruidores de nossos sonhos e alheios, teremos cuidados e jogaremos nossas vergonhas numa lata de lixo bem grande para que possa suprir toda a imundice e como num fim de livro infantil seremos felizes para sempre, não é ?. Toda forma de castigo merece uma análise maior do que nós, ninguém é sábio de todas as respostas e soluções, ninguém é capaz de ser Deus, ou de determinar todo o positivo em quatro anos prorrogáveis por um mandato de igual período. Ao observar tudo o que aconteceu e que ainda acontece na população situada em locais não convidativos e sinônimos de violência, a cárie dos dentes governamentais, calculei o estrago e o que poderia acontecer depois de tudo, vi um prefeito com "Armani" e "YSL" afirmando com pureza d'alma que não sabia de nada e que tudo aquilo foi um efeito fortuito proporcionado ao acaso, não era para acontecer, no início eu dei um sorriso meio 3/4 de leve, porém depois de uns 5 minutos eu me dei conta, será que o governante, aquele mesmo que indicamos a uma amiga fofoqueira e declaramos ser a pessoa ideal para o nosso mundo, vai abrigar o garotinho de 3 ou 4 anos, sujo de barro avermelhado por parte do corpo e a outra desossada pelo infortúnio das águas de Abril em sua mansão ? já consigo vislumbrar a cena ímpar, o próprio cobrindo o menino com seu corbertor com pele de qualquer animal, protegendo de um frio que poderia por ventura gripá-lo e dando a mãe, claro, também resgatada pelas árduas mãos do super-herói, um lenço de seda egípcia para enxugar as lágrimas já mortas com o tempo de sangue e tanto sofrimento. Ainda bem que todos nós somos inteligentes e herdamos a sabedoria, como no dito " à imagem e semelhança", e não jogaremos chicletes no chão para não sujar a cidade e não causar enchentes e desabamentos de casas e famílias, AINDA BEM, continuaremos votando, sempre no final de ano, à luz de nossa carta constitucional de 1988, em estrelinhas vermelhas brilhosas, tucaninhos de bem com a vida e agora é um partido com slogan muito bonito, uma árvore meio azul meio verde e o melhor, com o nome de DEM, um belo prefixo para o que são. Afinal, tragédias desse porte nunca acontecem e se ocorrerem, só daqui a 50 anos, quando o Morro dos Prazeres deixar de ser chamado assim, ou o do Bumba for erguido em meio de um mar de flores coloridas em vez de um fétido lixão, que diga-se de passagem é uma mágica feita por algum malfeitor, que retirou de baixo daquelas casas o mármore que antes existia e colocou os degrados de seu planeta inferior, que mal caráter, que safadinho. Por fim, e até que enfim, continuaremos vendo os noticiários com helicópteros vindos da Rússia e bem vestidos jornalistas informando que o número de mortos já é o maior da história e que o governo vai bancar os alugueres sociais dos desabrigados que sairão da lama agonizante de ver todos os seus familiares mortos sem ter ar para respirar por causa de enchurradas não previstas, para embracarem num super navio ao estilo Noé, rumo a África sobrevivente à destruição como o filme 2012, só que com pre-éstreia nos cinemas cariocas e o pior, com a entrada gratuita, era só o que me faltava.
do mais, doação, ajuda, paz e sorte pra mim no dia 18 !
terça-feira, 30 de março de 2010
A Volta...

Foram 15 meses...tempo hábil em suas possibilidades...
Neste limite organizei a minha biblioteca boçal, respondi intermináveis emails pedindo o retorno, milhares de cartas não respondidas e uma vergonha que não teve fim até o findo domingo...
Ela disse...pq você não volta a escrever, e sem uma resposta a altura naquele momento eu realizei uma frase: tá bom, eu volto, enfim voltarei...
Neste tempo meus caros eu levantei a cabeça para que pudesse olhar os que vinham atrás de mim num torcicolo malevolente como em uma maratona de homens e mulheres cadentes, provei do improvável e me realizei com um sabor infantil, lembrei até das romãs que eu odiava mas com um poder de cura fulminante, ainda assim, lembrei de tudo o que escrevi, sobre ciúmes, amores, paixões e sacanagens, sem ao menos ter fincado as lições que tomei de tudo, mas com firmeza e viajei...
Neste tempo eu curti cada batida de vento na fuça, sequei os poros que um dia me fizeram chorar, abri um sorrizão com os dentes no certo e com o coração no bendito verão, sonhei o que todos sonham, beijei o que quse todos beijam, vivi o que ninguém nunca viveu, em incríveis e intermináveis quinze meses, quem com o lírico esteve sabe o que senti...
Ainda neste longo tempo fui vilão das praias, o gosto da morena, o brinde da cachaça, a companhia de amigos e de um carnaval, e que gigante carnaval !!...amei os começos e chorei os fins de tudo...li alguns livros, vi o gato perder mais de sete vidas e alguns dias terem menos de vinte e quatro horas...sorri com alguns dançantes e falei a eles que a música não era brega, que na verdade, estranho era o bailar deprimente de quem não sabe voar...
Com a fome intermitente de escrever, me toquei que era apenas um blog, que as pessoas não ligam para o que os outros acham, que as vezes parecia uma atitude rosa demais e que homem que é homem com certeza não chora...e gargalhei, com tudo isso e achei divertido demais demonstrar o que eu achava...alguns me fizeram mudar de idéia, vou escrever mesmo que não deem opnião de nada, mesmo que não concordem com coisa alguma e mesmo que seja rosa...não me importo ! como dizia o sábio...aqui é o meu lugar.
Sem choro nem vela, de hoje em diante nós continuaremos tentando achar graça e sabedoria na maldade e revelando as brechas maldosas que a bondade dá...aos que gostam do blog, eu digo que FICO, quer dizer, que VOLTO...
Versos de Retorno
"Eu sei que tenho andado sumido.
Um pouco perdido em meus passos
Não! O problema não são os caminhos.
Eles já não possuem curvas sinuosas, esquinas escondidas.
Hoje, eles são retos como a linha do horizonte.
Simples como a linha do horizonte.
Inalcançável como a linha do horizonte..."
(Terra de Ninguém: Crônicas, Críticas e Afins, por Felipe Ferraz)
Quanto ao que vivi por ai ?, deguste...
será um prato cheio pelos próximos 15 meses...
No mais, paz e saudade.
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