segunda-feira, 17 de maio de 2010

meu infinito porta retrato...





XXIV.

Quando o atrativo passa a ser sentir.


"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche." (Martha Medeiros)

Há um tempo atrás refleti sobre a importância da menina linda dos tempos de quarta série e as lembranças dos cheiros e dos toques que já vivi, um grão mascado do passado que aluga um cubículo modesto do pensamento, mas sua falta causaria um transtorno imediato em suas virtudes e principais atitudes, uma poeira unida e responsável pelo deserto que as andanças nos tornam no que somos hoje.

Dos risos e das belezas fingimos bem ser apenas o presente, os riscos em sépia de um quadro traçado todo o tempo como quem com um picel na mão não encontra mais cores para borrar-se a não ser pelo espaço que ocupou desde que começou a amar e sentir prazer por estar ali, naquele momento que só foi visto pelo mesmo, sem testemunhas ou terceiros de ótima fé.

O ponteiro que só anda pra frente não dá meia volta para mostrar o que não foi saboreado, ele só responde pelo gosto que ficou e te acorda todo santo minuto em que lembra daquele manto branco vestido pela rainha que possuia o todo em ti, a copa da árvore navalhada pelas trêmulas mãos em busca da perfeição ao desenhar o músculo que bate dentro do peito, mas que nesse segundo era chamado pelo carinhoso nome de coração, reflexos do passado que fazem o nosso afazer mais dócil em batalhas trincadas no dia-a-dia.

Nomes, prenomes e alcunhas desfeitas, o choro pálido de quem já se foi e não sabemos para onde, a sorriso franco da vovó e a chegada de nossos pais depois de matar inúmeros leões para rechear nossas vontades em realidades, sei que a vida poderia ser menos dura em alguns instantes, outrossim é necessário acreditar que o livro já está escrito e que os personagens somente viram hérois depois de tropeços e massacres, e sabe quel é o melhor dessa fábula estranha ? Na última página estará escrito, "felizes para sempre", basta acreditar e levantar sempre que um sopro te derrubar.

Das lembranças e das saudades poderemos passar anos em gargalhadas e suspiros, com o fio da diferença, tudo que pisamos e plantamos são obrigatoriamente lembranças, o que nos fazem voar e os frutos mais suculentos são nossa saudade, em um estúpido e ignorante comparativo, lembranças são as coisas que vivemos, saudades são todo o resto que nos fizeram ter vontade de viver, sem o importar coloquial ou formal, mas a junção das duas nos remete a simplória e valiosa frase: "como era bom antigamente", dessa forma tiramos conclusões fáceis de ser decifradas, nossos ascendentes detêm lembranças e saudades enquanto nós, enfim, só daqui há algum tempo, ou quem sabe, só quando criarmos asas e vivermos no desconhecido.

Nesse instante me dei conta de que talvez nem eu lembre ou sinta saudades do que eu escrevo ou penso, as fases sempre mudam nossa maneira de desejar o tempo, porém uma coisa é bem certa, as tatuagens ficam para sempre e nesse diapasão que me responsabilizo, escrevo ou não minhas prosas no corpo ? ou talvez eu esteja certo em recusar-me nesse fantasioso feito, minha história e infinitamente maior que a minha matéria rabiscada, contuno o meu expor e deixo a dispor de minha mente, se for de bom alento para mim tenho certeza que a mesma se encarrega de demonstrar o sorriso carinhoso e a felicidade, mesmo momentanea, de cada um que lê em meus versos a solução, por menor que seja, de seus abismos pessoais.


"Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade

Eu quis te convencer, mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Caminho em frente pra sentir saudade

Paper clips and crayons in my bed
Everybody thinks that I'm sad
I'll take a ride in melodies and bees and birds
Will hear my words
Will be both us and you and them together

'Cause I can forget about myself
Trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
And please my day
I let you stay with me if you surrender"

(M. Camelo - Janta)


Assim seja feito, choraremos por nossas conquistas construídas pelo ardor de nossas dificuldades, daremos mais valor, por mais simples que pareça, aos beijos roubados e afagos na nuca quando mais precisamos, perceberemos que nem sempre o que é indigesto para alguns precisa ser para os outros como um trote sertaneijo com baladas melódicas e refrões quase sempre repetitivos, viveremos mais e nos preocuparemos menos, não se distrata o presente quando se sabe que o mesmo servirá de base para cada piscar de olhos que ousares realizar no futuro, mais vale um passado na mão do que um presente errante.

No mais, uma enorme paz aos que fazem dos meus dias um prazer indescritível e inenarrável.

2 comentários:

Carine disse...

como você mesmo me disse,está muuuuito bom!!sem duvida ficarei pensando nesse post a semana inteira,ou melhor,até o próximo post!beeeijo

Anônimo disse...

Muito bom meesmo! Após tiradas algumas dúvidas, melhor impossivel, doutor hahaha!
Agora virei fã, fazer oq? rs beijoooo