domingo, 23 de maio de 2010

para quem me entende...






"Os homens que procuram a felicidade são como os embriagados que não conseguem encontrar a própria casa, apesar de saberem que a têm." ( Voltaire )


XXV.

vinte e cinco vezes eu mesmo.

Depois das nuvens e dos dias claros, escritas tortas, noites com cabeça vazia e sem idéia ao que me reportar decidi, que de uma vez por todas serei o espelho e a espada que conservo sem caça de assuntos e cruzes sem nexo ortográfico, bocejo enfim o lustre que me consome e a energia que me faz ser diferente das pessoas, não ser o melhor, ser só o infinito e isso já me basta, por enquanto.

São mínimos os regentes que vislumbram no caminho pontos cardeais, cada um responsável pela mudança completa do nosso humor e do nosso enjoar, podemos chamar o cinza de púmblio, as nuvens de algodão, praças de encontros e figas de boa sorte, nada valerá a pena se a pressa é plena, uma paródia mal grata de alguém já contido na missão "estar pronto", não precisa entender o que eu digo, se teu tempo é horizontal ao meu pode ter certeza que já decifra-me.

Hoje eu tenho minha fala e minhas letras, como Fernando Pessoa, a língua é minha pátria, sem medo das fobias e das manias tão singulares a outros bonecos que se movem, tenho sentido e sinto mais que o mundo que me destrói, não aprendi as lições banais de um simples amor pintado com lápis vermelho, prefiro sentí-lo, abrir minha palma, segurar com alento e guardar pra mim tudo o que há de bom em você. Guardada as proporções do clichê, mas amar é tão bom quanto viver, afinal, só para isso existimos.

Sempre me inspirei nas coisas fungíveis ou não que me deixam sem resposta e por mais incrível que pareça procurei as soluções nas músicas que escuto, na verdade eu não consigo entender, compreendo o peculiar e sombrio do meu, no mínimo, duvidoso gostar musical, porém não são as falas propriamente ditas que me guiam, mas o cifrar do toque, nada como três minutos de música calada e tocada, me desculpem os críticos modernos amantes desgovernados de saculejo em níveis assustadores, música não se escuta ou se entende, simplesmente se vivencia.

Afim de entender o que pronuncio nesse instante eu esclareço, falo das coisas que amo e que detesto quando não estão ao meu alcance ou que escorregam por entre meus dedos quando meu pulmão mais precisa, respiro minhas vontades e na maioria das vezes tento a posse delas em atos afoitos e não planejados, e daí ? não vim para organizar projetos de sentimentos ou calcular cada passo que dou , sempre existirão pedrinhas ou minúsculos gravetos, se um dia existiu um obstáculo de verdade, me desculpe, nem percebi quando passei por cima.

Ainda tenho saúde e medo da morte, ainda gripo com o inverno ou torro com o verão, percebi que pouca coisa muda mas que o mínimo faz a enorme diferença, beijos, ventos, sempre uma nova oportunidade, ganhamos em charme com fios albinos no cabelo e rugas com a idadeque não freia nunca, quem se importa com isso ? desde pequeno fui avisado que no fim encontraremos com papai do céu e não me leve a mal, não quero perder essa oportunidade, mas não precisa ser agora, prometi para minha sombra, ainda vou lhe arrumar uma par, uma alguém bem bonito pois um dia você cansa de mim.

Adoro o complexo e a falta de tempo para responder uma pergunta complicada, acho que as vezes passo esse conteúdo fabulístico para minhas linhas aqui expostas, espero não levar esse intróito ao mal, quem conhece a mão de quem escreve decifra até antes que ponha o pingo no papel, afinal o que é claro demais esconde o segredo da procura e as melhores frutas estão sempre no topo das arvóres, um dia escutei esse ditado, para mim perfeito de tão insuportável, nunca fui de escalar nada, nem mesmo meus próprios anseios.


____________________ *

Lareira pra acender,
Um céu pra se olhar
E tudo está tranquilo por aqui
Você vai me vencer,
Eu vou me apaixonar.
Não há mais o que decidir


Dos nossos lábios todas as palavras
Nada dizem
Aos nossos olhos tudo que já vimos
Foi vertigem
E é tudo tão real
Mas nada normal

( Victor e Leo - Nada Normal )

____________________*


Poderia deixar mensagens de amor platônico que fazem bem a alma de quem lê, enchem de esperanças os deprimidos por natureza e em potencial, mas entendo ser melhor abrir olhos, todas as pessoas, e digo isso por ser observador nos tempos vagos, possuem um alguém desafiador dentro de si, so precisam descobrí-lo aos poucos, Deus não fez o amor, a saudade ou até mesmo a poesia para enfeitar nossas estantes fictícias, é importante ser merecedor e atento, já que o mundo é tão pequeno afinal.

No mais, e sempre assim, FELICIDADE !!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

meu infinito porta retrato...





XXIV.

Quando o atrativo passa a ser sentir.


"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche." (Martha Medeiros)

Há um tempo atrás refleti sobre a importância da menina linda dos tempos de quarta série e as lembranças dos cheiros e dos toques que já vivi, um grão mascado do passado que aluga um cubículo modesto do pensamento, mas sua falta causaria um transtorno imediato em suas virtudes e principais atitudes, uma poeira unida e responsável pelo deserto que as andanças nos tornam no que somos hoje.

Dos risos e das belezas fingimos bem ser apenas o presente, os riscos em sépia de um quadro traçado todo o tempo como quem com um picel na mão não encontra mais cores para borrar-se a não ser pelo espaço que ocupou desde que começou a amar e sentir prazer por estar ali, naquele momento que só foi visto pelo mesmo, sem testemunhas ou terceiros de ótima fé.

O ponteiro que só anda pra frente não dá meia volta para mostrar o que não foi saboreado, ele só responde pelo gosto que ficou e te acorda todo santo minuto em que lembra daquele manto branco vestido pela rainha que possuia o todo em ti, a copa da árvore navalhada pelas trêmulas mãos em busca da perfeição ao desenhar o músculo que bate dentro do peito, mas que nesse segundo era chamado pelo carinhoso nome de coração, reflexos do passado que fazem o nosso afazer mais dócil em batalhas trincadas no dia-a-dia.

Nomes, prenomes e alcunhas desfeitas, o choro pálido de quem já se foi e não sabemos para onde, a sorriso franco da vovó e a chegada de nossos pais depois de matar inúmeros leões para rechear nossas vontades em realidades, sei que a vida poderia ser menos dura em alguns instantes, outrossim é necessário acreditar que o livro já está escrito e que os personagens somente viram hérois depois de tropeços e massacres, e sabe quel é o melhor dessa fábula estranha ? Na última página estará escrito, "felizes para sempre", basta acreditar e levantar sempre que um sopro te derrubar.

Das lembranças e das saudades poderemos passar anos em gargalhadas e suspiros, com o fio da diferença, tudo que pisamos e plantamos são obrigatoriamente lembranças, o que nos fazem voar e os frutos mais suculentos são nossa saudade, em um estúpido e ignorante comparativo, lembranças são as coisas que vivemos, saudades são todo o resto que nos fizeram ter vontade de viver, sem o importar coloquial ou formal, mas a junção das duas nos remete a simplória e valiosa frase: "como era bom antigamente", dessa forma tiramos conclusões fáceis de ser decifradas, nossos ascendentes detêm lembranças e saudades enquanto nós, enfim, só daqui há algum tempo, ou quem sabe, só quando criarmos asas e vivermos no desconhecido.

Nesse instante me dei conta de que talvez nem eu lembre ou sinta saudades do que eu escrevo ou penso, as fases sempre mudam nossa maneira de desejar o tempo, porém uma coisa é bem certa, as tatuagens ficam para sempre e nesse diapasão que me responsabilizo, escrevo ou não minhas prosas no corpo ? ou talvez eu esteja certo em recusar-me nesse fantasioso feito, minha história e infinitamente maior que a minha matéria rabiscada, contuno o meu expor e deixo a dispor de minha mente, se for de bom alento para mim tenho certeza que a mesma se encarrega de demonstrar o sorriso carinhoso e a felicidade, mesmo momentanea, de cada um que lê em meus versos a solução, por menor que seja, de seus abismos pessoais.


"Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade

Eu quis te convencer, mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Caminho em frente pra sentir saudade

Paper clips and crayons in my bed
Everybody thinks that I'm sad
I'll take a ride in melodies and bees and birds
Will hear my words
Will be both us and you and them together

'Cause I can forget about myself
Trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
And please my day
I let you stay with me if you surrender"

(M. Camelo - Janta)


Assim seja feito, choraremos por nossas conquistas construídas pelo ardor de nossas dificuldades, daremos mais valor, por mais simples que pareça, aos beijos roubados e afagos na nuca quando mais precisamos, perceberemos que nem sempre o que é indigesto para alguns precisa ser para os outros como um trote sertaneijo com baladas melódicas e refrões quase sempre repetitivos, viveremos mais e nos preocuparemos menos, não se distrata o presente quando se sabe que o mesmo servirá de base para cada piscar de olhos que ousares realizar no futuro, mais vale um passado na mão do que um presente errante.

No mais, uma enorme paz aos que fazem dos meus dias um prazer indescritível e inenarrável.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

eu, tu, eles e elas...




XXIII.


"Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça..." (Mário Quintana)


se é que existe um recomeço.

Sem rodeios, prefiro assim, ser claro aos poucos e fundo no que precisso, chamar amores de eternos, chocolates de presentes e a vida do nome genitor de filhos, simples assim e tão complexo como a alma, intrépida farpa dos sonhos que sempre vivemos, veremos o que acontecerá até contarmos nossas auras barbas e nossa alcunha ser definida como completa.

Em uma reta etária do início ao óbito reger-se-ão inúmeros momentos de vazio, calos que colecionaremos em cartas escritas e não destinadas sem alvo e sem corrimão, contudo hei de preencher de promessas alucinadas reservando aos benditos anjos o encarregar de um novo encontro, que não seja estranho a ponto de confundir, porém com um ar escuro que nos faça sonhar com a possibilidade de um rumo melhor, a tão almejada solução para todos os problemas, sem saber que não importa o plural nesses momentos e sim o uno de ser forte com um punhado de sabedoria para colocar pedras em desafios.

Na verdade, não existe uma lista pré definida de feitos a serem realizados, condicionamos todos na passagem temporal, uma solidão é necessária o tanto quanto a companhia, firmar o só é fundamental, organizar nossa mente em detalhes antes nem percebidos e dar valor até ao muro branco que protege nosso lar, ainda que não seja dessa cor, mas não te faltaria coragem e audácia de reunir cada tijolo para proteger a sua prole ou que seja, sua família.

Outrora, é importante lembrar dos brilhos de estar apaixonado, o status das asas abertas não são páreos a felicidade de um dia frio e acobertado de aconchego e bel prazer coronário, ficar sem chão nos suspiros de uma saudade dão a sensação de nunca estar sozinho mesmo que naquele momento exista apenas você e a televisão, lembrar os cafunés de um domingo chuvoso faz valer cada segundo da vida em par. Há quem diga que ser solteiro é o melhor de todos os sentimentos, fatalmente os mesmos donos desta especulação, são os que se mordem em busca de um ombro fiel, olhos que fazem sermos brilhantes.

Vale dizer que o recomeço em alento é o emocional, se estamos preparados para grandes perdas e voltas esplendorosas, se o mundo que desenhamos são passíveis de esquecimentos e se erguiremos um lápis de cor quaisquer e contronaremos todo o desenho novamente. nunca estamos sozinhos por completo, nossas rodas são maiores que imaginamos, possuimos pessoas de bom grado que estão sempre a espera de um arranhão para curar nossas feridas, porém não controlamos nossa farta imaginação amorosa e apesar de todo o derretido alguém dentro da gente está sempre preparado para reviver e encontrar uma "costela" que nos aqueça, o mal é demorarmos para enxergar nosso avesso.

"Normal, estou vivendo simplesmente
Não vou ficar pensando
Se tivesse sido contrário

Estou feliz
Mesmo sozinho
Esse silêncio é paz
Nesse momento cai
Uma forte chuva
Quem vai ficar chorando?" (Nando Reis)


Por derradeiro, sofrer faz parte, sorrir muito também, adequar-se ao nosso quinhão infeliz é um destino do presente, não importa seu grau de desespero. Nesta guerra de interesses próprios nenhuma arma vai te ajudar a matar a sua escolha, seja enorme, é a única forma de dizer que és pra sempre !!


No mais paz, muita luta e um novo caminho, se é que existe.