segunda-feira, 21 de junho de 2010
é morena, ta tudo bem...
XXVII.
o caminho pode ser a tranquilidade...
"Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando."
Pablo Neruda
É enorme a facilidade em ter motivos para chorar, mesmo que dor não se sinta, tão fácil que as vezes fica chato, em vez de procurar os cantos dos sorrisos lamenta as oportunidades que passam, seja sincero, perder o tempo procurando algo que talvez não existe é o inferno enquanto se há tempo em viver concreto em alguém, ser alma dentro do corpo quando se esta apaixonado. Fui homem antes de sentir amor, sou paz quando percebi que além de mim existe alguém que me ame com vã intensidade, com luz, simples, com cor.
Em um tom sereníssimo de calcanhar calculado e o medo de pisar em chão desconhecido eu tentei ser invisível, pelas vielas onde nunca se espera sequer um suspiro de boa vontade, esse imenso todo me fez pensar em admitir a solidão e a escusa sentinela de ser só por sentir-se melhor, forte, quem sabe viril, me dei conta que todos eram completos porque tinham um bom domingo, enquanto eu via os sábados e acordava nas segundas, com cara de ontem, com cara de farsa.
Ninguém é e pode ser esteriótipo de um coletivo, não existe um modelo, existem sim as faltas de sono, as saudades intermináveis e as sensações de proteção, um casaco que te acolha no frio, mãos que não deixem a sua fugir, abraços e detalhes que te ocupam espaço, que façam sua renascença, um pouco de sutileza e um pouco de atrevimento, o quanto é misterioso os sonhos e o interessante pelo fato de ser maravilhoso e não necessitar o mínimo de explicação, hoje, sorrio maior que minha boca, para que de longe você saiba que eu estou indo na sua direção.
Com um raio de lembrança me vi na noite que acabou rápido demais, olhava para a sua sombra com a vasta esperança de que ao menos ela ficasse comigo e me contasse uma prosa para dormir mais calmo, menos solitário, eu quis tudo e senti tudo, perfeição não precisa de manual ou alguma instrução do tipo "como usar" quando a maneira mais simples é fechar os olhos, ainda que suas mãos atravessassem meu infinito, minhas formas, preferi não ver, para que minha saudade não seja finita à sua imagem, mas, que até no fim do mundo e sem coisas tangíveis eu possa te lembrar, com a mais irritante escuridão viver sua voz em cada idéia de minha existência.
Falo sobre as coisas do cotidiano e esbarro na insuficiência de falar sobre o que sinto, um sinal claro de que o dicionário não basta e tudo que estudei sobre você não tem embasamento emocional, não tem língua, afônico, em tempos eu não esperei algo tão "dantesco", algo tão inexplicável, a ponto de não saber o que faço primeiro, se te encaixo no meu peito ate você dormir ou se fico te olhando até que um dia a vida te tire de mim.
Sei que por escolha cuida de vidas e engana a morte, sei também que tem ouvidos de fadas para músicas no mínimo desconfiáveis, sabe como ninguém mostrar a prata da fala e o esculpido das jardas que desenham seu corpo, uma seneuma vibrante e um apito berrante, coisas que encaram com aventura, uma brava amazona, dona de um sorriso singular e um carinho infindável, justa como um fim de tarde, vida e laço, um presente percebido em fios de cetim e uma pequena escrita em frente e verso, poesia e catástrofe, o tudo e o nada, meu início, meu meio e meu sim.
"Estava satisfeita em te ter como amigo
Mas o que será que aconteceu comigo?
Aonde foi que eu errei?
Ás vezes me pergunto se eu nao entendi errado
Grande amizade com estar apaixonado
Se for só isso logo vai passar
Mas quando toca o telefone será você
O que estiver fazendo eu paro de fazer
Se fica muito tempo sem me ligar
Arranjo uma desculpa pra te procurar
Que tola, mas eu nao consigo evitar
Por que eu só vivo pensando em você
E é sem querer
Voce nao sai da minha cabeça mais
Por que eu só vivo acordada a sonhar
imaginar, nós dois
Ás vezes penso ser um sonho impossível, uma ilusão terrível
Será?
Hoje eu pedi tanto em oração
Que as portas do seu coração
Se abrissem pra eu te conquistar
Mas que seja feita a vontade de Deus
E se ele quiser, então nao importa como, onde, quando eu vou ter seu coração
Eu faço tudo pra chamar sua atenção
De vez enquando eu meto os pés pelas mãos
Engulo a seco o ciúme
Quando outra apaixonada quer tirar de mim sua atençao
Coraçao apaixonado é bobo
Sorriso seu ele derrete todo
O teu charme, teu olhar, tua fala mansa me faz delirar
Mas quanta coisa aconteceu e foi dita
Qualquer mínimo detalhe era pista
Coisas que ficaram para trás
Coisas que você nem lembra mais
Mas eu guardo tudo aqui no meu peito
Tanto tempo estudando teu jeito
Tanto tempo esperando uma chance
Sonho tanto com esse romance
Que tola, mas eu nao consigo evitar
Por que eu só vivo pensando em você
E é sem querer
Voce nao sai da minha cabeça mais
Por que eu só vivo acordada a sonhar
imaginar, nós dois
Ás vezes penso ser um sonho impossível, uma ilusão terrível
Será?
Hoje eu pedi tanto em oração
Que as portas do seu coração
Se abrissem pra eu te conquistar
Mas que seja feita a vontade de Deus
E se ele quiser, então nao importa como, onde, quando eu vou ter seu coração."
(por Henrique Cerqueira)
Por fim e não mais que ligeiro me despeço para o intervalo merecido, eu preciso descansar e acordar disposto, não tenho o sacrifício do esquecimento, ainda quero pela acordar pela manhã e poder dizer, até que enfim eu te vejo, até que enfim será para todo o inesquecível.
No mais é isso.
terça-feira, 1 de junho de 2010
contra o tempo.
XXVI
"A única coisa de que me arrependo nessa vida é de não ser outra pessoa." (Woody Allen)
desde criança...
Fui realmente interessante quando tinha meus meses de nascença, revirava os olhos em graus intermitentes procurando algo novo, algo que não se via de dentro da placenta, algo que não se via do meu lar. Depois de anos em observação, ainda com o circular das orbitas e o ensejo enlouquecido de antigamente, cheguei a conclusão de que por mais que se veja tudo nada se entende até que se envolva, em outra vertente, nada é igual para todos e nem sempre o verde meu é o verde teu, a ponto de feliz ser o céu, o mundo revolta e ainda ilumina seja quem for.
Juntei as palmas e clamei ao Pai para que nunca saisse da terra e vi as pessoas matando umas as outras e aos oito ou nove anos, não me recordo ao certo, me perguntei se os que se vão não sabiam rezar e pedir o mesmo que eu pedi, ou Deus elegeu alguns homens e deu aos mesmos o poder de finalizar sonhos e vontades, de viver interropendo a evolução dos menos valentes e dos que dão mais valor a vida sem riscos desnecessários, eu chorei aos que se foram e me preparo se o acaso levar alguém pelo qual tenho infindo apreço.
Jurei no final de meu primeiro encontro que jamais morreria de amor, que eu acordaria todo dia santo gostando ainda mais de mim do que o próximo seja ele quem for, seja qual for o último beijo, seja quem for a última a tocar suas mãos na minha, jurei antes de tentar entender, antes de perceber que a morte não se define no término de um corpo e sim, que existem inúmeros finados e desde aquele dia eu não parei mais de sofrer ante as desiluções e aventuras terminativas dos relacionamentos, invenção mal feita àqueles que desembocam no desapego sua melhor característica.
Como as plantas e guiando a fotossíntese como se fosse cada passo dado envolto de um desenvolvimento contínuo, vi o tempo passar, vi os amigos sorrindo e caindo, os ombros partidos e calejados dos choros que criei, vi os cabelos sumindo as sinais de idade surgindo e algumas pessoas abrindo e fechando Templos e Igrejas, acreditando em seus Salvadores e abdicando um passado infortúnio com a promessa de um futuro deslumbrante, vi o trabalho cansativo das cegonhas, da última e da sétima missa de adeus e continuo acreditando que a fé assusta as impossibilidades e que as pessoas precisarão aprender a orar o mais rápido possível, não pelo fim, mas pelo menos chegar ao meio do caminho.
Sim, eu teho alguns cabelos brancos e não sei ainda porque cresceram tão rápido e desordenadamente, conheço o provérbio chinês sobre a árvore, os filhos e o livro e não vejo dificuldade em nenhum dos três, árvores eu planto, filhos ainda vou tê-los e livros são escritos e não objetos de milagres, com um papel e um lápis desenho oportunidades e há quem diga ter desprazeres na vida, convenhamos, somos o que não imaginamos e podemos tudo aquilo que nos parece dificil, quem não acredita no impossível jamais será digno de viver na eternidade, não use o espelho para se notar, ele só te mostra o que o corpo tem de melhorar, quando o mais incrível está onde não podemos ver.
E quando eu tiver ainda mais grisalhos na cuca, com uma floresta, alguns herdeiros e "best-sellers" publicados vou poder olhar para trás e dizer que tudo valeu a pena, não só da boca pra fora, que rezei pelas vidas das pessoas que eu nem conheço e isso me fez maior, que sofri por cada perda amorosa e que foi necessário, que precisamor passar pela falta de carinho, sempre daremos valor ao que nos é retirado e com isso juntaremos esforços para que ao próximo anjo que nos for oferecido seja dado o nosso máximo, o nosso melhor.
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Oh where, oh where, can my baby be?
The Lord took her away from me.
She's gone to heaven so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world.
We were out on a date in my daddy's car,
We hadn't driven very far.
There in the road straight ahead,
A car was stalled, the engine was dead.
I couldn't stop, so I swerved to the right,
I'll never forget the sound that night.
The screaming tires, the busting glass,
The painful scream that I heard last.
Oh where, oh where, can my baby be?
The Lord took her away from me.
She's gone to heaven so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world.
When I woke up, the rain was pouring down,
There were people standing all around.
Something warm flowing through my eyes,
But somehow I found my baby that night.
I lifted her head, she looked at me and said;
"Hold me darling just a little while."
I held her close I kissed her - our last kiss,
I found the love that I knew I had missed.
Well now she's gone even though I hold her tight,
I lost my love, my life that night.
Oh where, oh where, can my baby be?
The Lord took her away from me.
She's gone to heaven so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world.
(Last Kiss por Wayne Cochran)
(tradução em http://letras.terra.com.br/pearl-jam/30320/ )
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O incrível de todo o ser humano é que ele se torna sábio quando a morte se aproxima, que a idade é a solução para os problemas e que suas facetas são calculadas e obrigatoriamente toleradas e seguidas e é neste bom e simpático velhinho que pretendo me tornar, depois de trilhar o caminho que nos foi dado, a vida não é um ciclo propriamente dito, na terra vivemos em linha reta, por fases e por destinos e espero que a partir de hoje o respeito seja maior que o desfrute, que se viva mais e se morra menos, em todos os sentidos.
No mais, e sempre desse jeito, um tanto de paz para quem precisa, e o meu sincero agradecimento para quem acredita em mim.
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