segunda-feira, 12 de abril de 2010

Tristeza não tem fim...





Diante dos nossos olhos e dos nossos feitos...

Vi no Abril as águas do mês anterior como dizia o poeta, quase premonição, mas já estava escrito. Como não ficar feliz ao achar o chão mais perto de uma lixeira, ou achar em um rio lugar ideal para arremessar privadas ou garrafas terminativas de jantares saborosos ? Pois é, já estava escrito e ninguém leu, afinal sujar cidades é um dom e ter garis é o nosso direito portanto vamos distribuir empregos e tarefas numa anedota estúpida e sem graça alguma, tudo culpa do nosso povo festivo e adoradores de um bom futebol apesar de ficarmos muito ocupados em organizar partidas de futebol ao invés de deixar os combatentes ajudar aos que realmente precisam, duvida ainda de que tudo o que plantamos um dia vamos cultivar e provar mesmo que o sabor seja um pouco amargo ? Então, tragédia feita, estrago concluído, não jogaremos mais papéis de propagandas de lipoescultura no solo e pela janela de nossos carros ultramodernos e vamos fazer de nosso meio ambiente um lugar digno de se viver, sem geladeiras ou ventiladores boiando em nossos maravilhosos mares e riachos, certo ? Eu sei, tudo bem, a culpa é toda nossa, não vamos mais agir como porcos ou destruidores de nossos sonhos e alheios, teremos cuidados e jogaremos nossas vergonhas numa lata de lixo bem grande para que possa suprir toda a imundice e como num fim de livro infantil seremos felizes para sempre, não é ?. Toda forma de castigo merece uma análise maior do que nós, ninguém é sábio de todas as respostas e soluções, ninguém é capaz de ser Deus, ou de determinar todo o positivo em quatro anos prorrogáveis por um mandato de igual período. Ao observar tudo o que aconteceu e que ainda acontece na população situada em locais não convidativos e sinônimos de violência, a cárie dos dentes governamentais, calculei o estrago e o que poderia acontecer depois de tudo, vi um prefeito com "Armani" e "YSL" afirmando com pureza d'alma que não sabia de nada e que tudo aquilo foi um efeito fortuito proporcionado ao acaso, não era para acontecer, no início eu dei um sorriso meio 3/4 de leve, porém depois de uns 5 minutos eu me dei conta, será que o governante, aquele mesmo que indicamos a uma amiga fofoqueira e declaramos ser a pessoa ideal para o nosso mundo, vai abrigar o garotinho de 3 ou 4 anos, sujo de barro avermelhado por parte do corpo e a outra desossada pelo infortúnio das águas de Abril em sua mansão ? já consigo vislumbrar a cena ímpar, o próprio cobrindo o menino com seu corbertor com pele de qualquer animal, protegendo de um frio que poderia por ventura gripá-lo e dando a mãe, claro, também resgatada pelas árduas mãos do super-herói, um lenço de seda egípcia para enxugar as lágrimas já mortas com o tempo de sangue e tanto sofrimento. Ainda bem que todos nós somos inteligentes e herdamos a sabedoria, como no dito " à imagem e semelhança", e não jogaremos chicletes no chão para não sujar a cidade e não causar enchentes e desabamentos de casas e famílias, AINDA BEM, continuaremos votando, sempre no final de ano, à luz de nossa carta constitucional de 1988, em estrelinhas vermelhas brilhosas, tucaninhos de bem com a vida e agora é um partido com slogan muito bonito, uma árvore meio azul meio verde e o melhor, com o nome de DEM, um belo prefixo para o que são. Afinal, tragédias desse porte nunca acontecem e se ocorrerem, só daqui a 50 anos, quando o Morro dos Prazeres deixar de ser chamado assim, ou o do Bumba for erguido em meio de um mar de flores coloridas em vez de um fétido lixão, que diga-se de passagem é uma mágica feita por algum malfeitor, que retirou de baixo daquelas casas o mármore que antes existia e colocou os degrados de seu planeta inferior, que mal caráter, que safadinho. Por fim, e até que enfim, continuaremos vendo os noticiários com helicópteros vindos da Rússia e bem vestidos jornalistas informando que o número de mortos já é o maior da história e que o governo vai bancar os alugueres sociais dos desabrigados que sairão da lama agonizante de ver todos os seus familiares mortos sem ter ar para respirar por causa de enchurradas não previstas, para embracarem num super navio ao estilo Noé, rumo a África sobrevivente à destruição como o filme 2012, só que com pre-éstreia nos cinemas cariocas e o pior, com a entrada gratuita, era só o que me faltava.

do mais, doação, ajuda, paz e sorte pra mim no dia 18 !

2 comentários:

Unknown disse...

disse tudo e mais um pouco!

Unknown disse...

como sempre, muito certo nas palavras! Adorei o texto.
e, dia 18 carioca? estarei ai, torcendo por você.. não de corpo presente, mas coração! ;)